NEGRITUDE EM PAUTA
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Costumeiramente ouvimos expressões como “lista negra”, “ovelha negra”, “gato preto dá azar”, entre outras, que reforçam as discriminações e os preconceitos de uma sociedade enraizada com o racismo. Com o objetivo de combater o preconceito e a discriminação racial, promovendo o respeito e a igualdade, a Cresol Central SC/RS está desenvolvendo neste ano de 2020 o projeto Negritude em Pauta. O mesmo ainda busca:

  • Proporcionar espaços de reflexão sobre a presença negra nos locais em que a Cresol Central está inserida;
  • Promover o enfrentamento ao racismo e todas as formas de discriminação;
  • Realizar ações enquanto Cresol Central que contribuam para um mundo mais justo e igual;
  • Fomentar o acesso de negros/as aos espaços de poder na Cresol Central SC/RS.

Com a luta dos próprios negros, em 1988, com a Constituição Federal, se avançou em alguns direitos à população afro-brasileira. Porém, o racismo enraizado neste país ainda dificulta a igualdade. Por isso consideramos esse projeto importante para trabalhar a igualdade, a visibilidade dos negros, principalmente na região Sul do país, onde por muito tempo a presença dos mesmos foi negada e onde a Cresol também está inserida.

Indicamos algumas leituras que abordam a invisibilidade dos negros no sul do Brasil:

Negros no Sul do Brasil: Invisibilidade e Territorialidade

Ilka Boaventura Leite

Territorialidade

História Diversa: africanos e afrodescendentes na Ilha de Santa Catarina

Beatriz Gallott Mamignoniani e Joseane Zimmermann Vidal

O racismo e a sonegação da história afrodescendente no Rio Grande do Sul. Entrevista especial com Jorge Euzébio Assumpção

Negritude

De acordo com o historiador Petrônio Domingues, em seu artigo “Movimento da Negritude: uma breve reconstrução histórica”, o termo negritude possui um caráter político, ideológico e cultural. “No terreno político, negritude serve de subsídio para a ação do movimento negro organizado. No campo ideológico, negritude pode ser entendida como processo de aquisição de uma consciência racial. Já na esfera cultural, negritude é a tendência de valorização de toda manifestação cultural de matriz africana” (2005, p.2). Para Domingues, a ideologia da negritude foi antes de tudo, “um movimento de resgate da humanidade do negro, o qual se insurgiu contra o racismo imposto pelo branco no contexto da opressão colonial”.

O historiador cita o autor Aimé Césaire, segundo o qual, “negritude é simplesmente o ato de assumir ser negro e ser consciente de uma identidade, história e cultura específica”. A Negritude seria definida para Césaire em três aspectos: identidade, fidelidade e solidariedade. A identidade consiste em ter orgulho da condição racial, de expressar “Sou Negro”, por exemplo. A fidelidade é a relação de vínculo com a ancestralidade africana. “A solidariedade é o sentimento que une, involuntariamente, todos os ‘irmãos de cor’ do mundo, é o sentimento de solidariedade e de preservação de uma identidade comum” (DOMINGUES, 2005, p. 6).

Esse projeto, portanto, recebeu esse nome, no intuito de conscientizar sobre o valor e riqueza da cultura africana e com isso provocar o enfrentamento ao racismo.

Para saber mais sobre o termo você pode conferir as referências:

Movimento da Negritude: uma breve reconstrução histórica Mediações - Revista de Ciências Sociais

Petrônio Rodrigues

Quilombos

“Consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos, para os fins deste Decreto, os grupos étnico-raciais, segundo critérios de auto-atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida”, esse é o texto do art. 2º do Decreto nº 4.887, de 20 de novembro de 2003. A partir disso, várias comunidades quilombolas passaram a reivindicar a titulação de seus territórios que estavam previstas desde a Constituição de 1988. Portanto, além de comunidades formadas através de escravos fugidos (como era a definição de quilombo no período colonial), temos outras comunidades que se originaram através de terras herdadas de antigos senhores, territórios que pertenciam a igreja e foram ocupadas por ex-escravizados após a abolição (e às vezes antes dessa), entre outras formas. Mas todas elas têm em comum a resistência ao sistema escravista e seu legado. Segundo a Fundação Palmares, “comunidade remanescente de quilombo é um conceito político-jurídico que tenta dar conta de uma realidade extremamente complexa e diversa, que implica na valorização de nossa memória e no reconhecimento da dívida histórica e presente que o Estado brasileiro tem com a população negra”.

Recentemente tivemos a oportunidade de fazer matérias e vídeos de uma comunidade quilombola da Bahia e percebemos a importância que a Cresol teve para a geração de renda naquela comunidade. Mas além de levar crédito, tivemos a chance de mostrar esse trabalho e proporcionar visibilidade aos moradores da Vargem do Sal, descendentes de africanos que foram escravizados no Brasil. Desse material, que está sendo divulgado em 2020, nasceu a ideia de proporcionarmos maiores espaços para debatermos sobre quilombolas. Cabe ressaltar que além de comunidades quilombolas no Nordeste, há remanescentes de quilombos no Sul e inclusive em municípios que a Cresol está inserida. É o caso de Canguçú/RS, onde possuímos um Posto de Atendimento, que conforme a Fundação Cultural Palmares conta com 15 comunidades: Armada, Potreiro Grande, Passo do Lourenço, Favila, Iguatemi, Estância da Figueira, Maçambique, Cerro das Velhas, Cerro da Vigília, Cerro da Boneca, Faxinal, Santa Clara e Arredores, Bisa Vicente, Filhos dos Quilombos e Boqueirão. Já em Restinga Seca/RS temos as comunidades de Vó Fermina e vó Maria Eulina, Rincão dos Martinianos e São Miguel; Em Pelotas/RS temos Alto do Caixão, Vó Elvira, Algodão e Cerrito Alegre; Em São Lourenço do Sul, existe as comunidades de Monjolo, Rincão das Almas, Coxilha Negra, Picada e Torrão. Em Cristal/RS, a comunidade quilombola de Serrinha do Cristal; em Carazinho, há os quilombolas de Flor da Serra; em Paulo Lopes/SC, a comunidade de Santa Cruz e em Treze de Maio/SC, temos a Família Thomaz.

Para saber mais sobre o assunto, seguem algumas dicas:

Quilombos e as novas etnias

Alfredo Wagner Berno de Almeida

Quilombos e as novas

Quilombos e as novas

Parentescos, Solidariedade e Práticas Culturais: estratégias de manutenção de um campesinato negro no Litoral Negro do Rio Grande do Sul (do século XIX ao tempo presente).

Claudia Daiane Garcia Molet

Memórias do Cativeiro. Família, Trabalho e Cidadania no Pós-Abolição

Ana Rios e Hebe Maria Mattos

Abolição

Aquilombar-se: Panorama Histórico Identitário e Político do Movimento Quilombola Brasileiro

Bárbara Oliveira Souza

Aquilombar-se

Fundação Palmares
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Lalala

A gente da Felisberta. Consciência histórica, história e memória de uma família negra no litoral rio-grandense no pós-emancipação 

Rodrigo de Azevedo Weimer

Negros nos espaços de poder

Segundo o IBGE, dados de 2018, temos na população 9,3% de pessoas que se autodeclaram pretas e 46,50% que se autodeclaram pardas, o que significa 55,80% de negros. Porém, essa maioria na população não significa a maioria em espaços de poder, de decisão, enfim, de representatividade. Na Câmara dos Deputados, dos 513 eleitos, são apenas 125 pretos ou pardos, que corresponde a 24,4%. 

Quando se trata de mulheres pretas ou pardas, é ainda mais desigual: apenas 13 eleitas. A realidade nas Assembleias Legislativas estaduais e do Distrito Federal não é diferente: dos 1059 eleitos, apenas 306 são pretos ou pardos (28,9%), sendo 51 mulheres.

Além disso, dos 5.531 prefeitos eleitos no Brasil, temos 1603 pretos ou pardos (29%), sendo 1425 homens e 178 mulheres. A proporção menos desigual de eleitos pretos/pardos x brancos são nas Câmaras Municipais de Vereadores, em que dos 57.859 vereadores, temos 24.332 pardos ou pretos (42,1%). Embora, mesmo sendo o espaço de menor poder e da população negra ser maior, ainda assim não temos 50%.

Taxas de analfabetismo

A taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais também é maior entre os pretos e pardos: a taxa entre os brancos é de 3,9% e entre pretos e pardos é 9,1%, sendo maior entre a população rural. Isso é fruto histórico, em que após a abolição formal da escravatura, em 13 de maio de 1888, os negros foram largados a própria sorte, sem acesso a escolas, políticas públicas, acesso à terra e ainda sofreram historicamente com o preconceito racial. No mercado de trabalho também os cargos gerenciais são ocupados 68,6% por brancos e 29,9% por pretos ou pardos. 

Para saber mais sobre o processo pós-abolição, indicamos as obras:

A abolição

Emília Viotti Costa

A abolição

Experiências da Emancipação: Biografias, instituições e movimentos sociais no pós-abolição

Petrônio Domingues e Flávio dos Santos Gomes

Dicas de materiais

Documentários

Projeto Invernada dos Negros. André Costantin e Daniel Herrera - 1º Prêmio de Expressões Culturais Afro-brasileiras.

Quilombos do século XXI.

TV Justiça. 2019

Sites

Geledes

Comissão Pró-Índio

Laboratório de História Oral: Memórias do Cativeiro

Escravidão e Liberdade

NUER/UFSC

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